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CDB: como funciona o investimento?

O Certificado de Depósito Bancário (CDB) é um investimento de renda fixa bem conhecido. Para se ter uma ideia, de acordo com o Valor Investe, em junho de 2022 havia R$ 1,1 trilhão aplicado nesses ativos no Brasil. Eles são considerados títulos de crédito – na prática, uma promessa de a instituição pagar ao investidor determinado valor somado a uma rentabilidade.

O que é CDB?

O que é CDB?

É possível fazer uma relação com o Tesouro Direto: por meio dele, pode-se dizer que o investidor “empresta” dinheiro para que o Governo Federal financie os investimentos públicos. Quem adquire esse tipo de ativo, recebe juros como remuneração pelo “empréstimo”.

Empresas privadas também podem receber aportes de investidores de maneira semelhante ao governo: elas fazem isso por meio de ativos chamados Debêntures. As companhias podem usar o dinheiro para financiar grandes projetos – como expansão, por exemplo. Quem faz esse tipo de investimento também recebe o valor de volta junto a uma remuneração na forma de juros.

Os bancos têm um caminho específico para fazer esse tipo de operação: o CDB. Nesse caso, os valores arrecadados pelas instituições são destinados a operações de crédito – na prática, são utilizados para conceder empréstimos a outras pessoas.

Em uma definição resumida: pode-se dizer que, por meio do CDB, é o investidor quem empresta dinheiro ao banco e recebe o pagamento de volta acrescido de juros.

Rentabilidade

Os CDBs podem ser divididos em diferentes tipos de acordo com as rentabilidades oferecidas. Os mais comuns são: prefixado, pós-fixado e atrelado à inflação (ou híbrido), conforme explicado a seguir.

CDB prefixado: oferece uma remuneração fixa expressa em juros. Em um exemplo hipotético de 6% ao ano, essa será a rentabilidade da operação até o final do período de investimento. Portanto, os retornos não são influenciados pelas oscilações do mercado, o que pode ser uma vantagem em diferentes momentos – quando a taxa de juros cai, por exemplo, e títulos atrelados ao CDI ou à Selic começam a pagar menos.

CDB pós-fixado: este é o tipo mais encontrado no mercado. Sua rentabilidade é atrelada a um índice de referência, como a Selic – taxa básica de juros da economia. Outro indicador utilizado é o CDI, calculado a partir de operações de empréstimo de curtíssimo prazo que bancos fazem uns aos outros. Geralmente a taxa do CDI segue a oscilação da Selic.

Ao aplicar em um CDB pós-fixado o investidor tem ciência de que seus rendimentos estarão ligados ao índice de referência, porém, não há como saber quantos reais serão recebidos exatamente no final do investimento.

Isso ocorre porque as taxas variam ao longo do tempo. Além disso, há papéis que oferecem 100% do indicador usado como referência, mas também é possível encontrar porcentagens menores ou maiores.

Um exemplo prático: o CDB de um banco pode oferecer aos investidores remuneração de 100% do CDI, enquanto outro paga apenas 90%. Porém, ao pesquisar ainda mais, a pessoa pode encontrar uma instituição em que a taxa oferecida seja de 110% do CDI.

Entre os CDBs pós-fixados, existem opções em que a liquidez é diária. Isso significa que, ao pedir o resgate, os valores entram na conta do investidor no mesmo dia.

CDB atrelado à inflação (híbrido): são mesclados os dois tipos de remuneração. Ou seja, há uma taxa de juros fixa mais um indicador, que, nesse caso, costuma ser a inflação medida pelo IPCA ou pelo IGP-M. Então, o título pode pagar 3% ao ano mais a variação da inflação, por exemplo. É uma estratégia que ajuda o investidor a se proteger do aumento generalizado dos preços e ainda garante uma rentabilidade específica.

Existem CDBs no mercado de tipos semelhantes aos explicados acima, como o Progressivo, por exemplo. Nele, a remuneração aumenta conforme o tempo de investimento. Em um caso hipotético com prazo de três anos: a instituição pode oferecer 90% do CDI no primeiro ano da aplicação, 100% no segundo e 110% no último ano.

Liquidez

Ao realizar um investimento, é importante analisar a facilidade de ter o dinheiro de volta, de acordo com as necessidades e objetivos do investidor. Ou seja, conhecer qual é a liquidez do papel. No caso do CDB ela pode variar.

Primeiro é importante ter em mente que, no momento em que é feito o investimento, o banco informa qual será o prazo da aplicação. Ou seja, por quanto tempo aquele título será válido e fará o pagamento dos juros. Após essa data, todo o valor é devolvido ao investidor.

O CDB pode ser emitido com prazos curtos de aplicação – como um ano ou dois – ou então oferecer prazos longos, acima de cinco anos, por exemplo.

Como citado, existem títulos que oferecem liquidez diária. Nesses casos é possível realizar um resgate total ou parcial a qualquer momento e o dinheiro já segue para a conta da pessoa.

Por outro lado, também existe CDB com liquidez no vencimento, em que só é possível reaver o dinheiro aplicado quando o prazo do investimento chega ao fim.

Caso seja necessário realizar um resgate antes desse período, existe a possibilidade de negociar o título com outros investidores no mercado secundário. Porém, nesse caso, ele será vendido por valores que forem praticados pelo mercado no momento da negociação, que podem ser inferiores ou superiores aos oferecidos pela instituição emissora do papel. Também não há garantias de que haverá alguém com interesse em adquirir o ativo.

Tributação do CDB

Tributação do CDB

Os rendimentos obtidos por meio de um CDB são sujeitos ao Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e ao Imposto de Renda (IR). Nos dois casos a cobrança ocorre de forma automática, mas apenas no resgate – ou no final do período de investimento.

O IOF só é cobrado caso a aplicação dure menos de 30 dias e ele diminui conforme o tempo – de 96% dos ganhos em resgates feitos no primeiro dia a 3% após 29 dias de aplicação. Depois desse período, o investidor fica isento do imposto.

O IR também segue uma tabela regressiva. Entretanto, não há um período de isenção:

Período de investimentoAlíquota (%)
Até 180 dias (6 meses)22,5%
De 181 a 360 dias (6 meses a 1 ano)20,0%
De 361 a 720 dias (1 a 2 anos)17,5%
Acima de 720 dias (2 anos)15,0%

Custos

O investimento em CDB não prevê nenhum tipo de pagamento do investidor. Porém, a corretora em que se faz a aplicação pode realizar cobranças, sendo as duas mais comuns: a taxa de corretagem, cobrada pelo aporte ou resgate dos valores; e a taxa de custódia, para que o papel seja mantido atrelado ao CPF do investidor.

É possível encontrar corretoras que zeram as taxas para o investimento em CDB. Um assessor pode ajudar a encontrar essa informação, ou ela pode ser pesquisada diretamente no site da corretora.

Riscos

Existem investimentos que oferecem bons níveis de segurança, enquanto outros são mais arriscados. Porém, não há uma forma de investir dinheiro completamente livre de riscos.

Ao investir em CDB, o principal risco encontrado é de crédito: ou seja, a instituição emissora pode passar por problemas e deixar de pagar quem aplicou em seus ativos. Ou seja: “dar um calote”.

É possível analisar o tamanho e a solidez do banco antes de destinar recursos a um papel emitido por ele. Esse tipo de estudo também pode ser feito por um assessor de investimentos.

De modo geral, instituições maiores tendem a oferecer juros menores, porém, também podem ser mais seguras.

Garantia do FGC

Além disso, o CDB é um ativo coberto pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Trata-se de uma instituição que ressarce o investidor em até R$ 250 mil caso o banco emissor do ativo vá à falência. Se a aplicação ultrapassar esse valor, o excedente não contará com a proteção.

Porém, é possível ter quantias maiores garantidas pelo FGC. Por exemplo, a investidora Nathália aporta R$ 200 mil no CDB de um banco e mais R$ 200 mil no título de outra instituição financeira. Caso alguma das duas quebre e deixe de pagar, Nathália receberá seu dinheiro de volta, pois está dentro do limite.

Ainda assim, caso os dois bancos decretem falência e “deem um calote” na investidora, ela terá seus R$ 400 mil ressarcidos, pois seu CPF está atrelado a CDBs de duas instituições diferentes e, nos dois casos, os valores não ultrapassam o limite de R$ 250 mil.

Ou seja, a garantia do FGC é relacionada a CPF e por instituição.

A cobertura é estendida a até R$ 1 milhão divididos pela mesma pessoa entre ativos de diferentes instituições. Esse valor tem o limite de quatro anos e, depois disso, é renovado. Na prática, dentro de quatro anos é possível perder até R$ 1 milhão separados entre CDBs de diferentes bancos. Após o período, o limite é renovado.

O FGC também cobre outros investimentos de renda fixa, como, por exemplo, a LCI (Letra de Crédito Imobiliário), a LCA (Letra de Crédito do Agronegócio) e a poupança.

Vale a pena investir em CDB?

Os títulos podem ser interessantes para diferentes investidores, como alguém que ainda não saiu da poupança e prefere ter seu dinheiro em um ativo atrelado a um banco. Além disso, em períodos de alta da inflação e da taxa de juros, o CDB pode ser uma alternativa para ter rendimentos acima do registrado pelo IPCA.

No momento de ter certeza de que um papel é uma boa opção para os objetivos e perfil de cada investidor, é sempre interessante consultar um assessor de investimentos que poderá realizar esse tipo de análise a partir de uma visão profissional.

Autor

Boris Bellini
Jornalista com experiências em marketing, segurança digital, mercado editorial e financeiro. No meio acadêmico, pesquisa a credibilidade jornalística. Anteriormente foi músico, tendo atuado como violoncelista e professor.

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