O que é Circuit Breaker?

Existem dias em que algum fato atinge em cheio a Bolsa de Valores. Há também momentos de crise que podem derrubar significativamente as ações do país em um único pregão. Um exemplo recente ocorreu no início de 2020, quando havia disputa internacional em relação ao preço do petróleo e o cenário de pandemia do coronavírus ficava cada vez mais claro – acontecimentos que geraram grande volatilidade.

Porém, existem mecanismos para proteger os investidores em momentos como esses e evitar grandes perdas no mercado acionário.

Uma das ferramentas mais importantes é o Circuit Breaker. Este texto apresenta o que ele é e traz exemplos dos usos mais recentes no Brasil.

O que é Circuit Breaker?

O que é circuit breaker?

O Circuit Breaker trava toda e qualquer operação da Bolsa de Valores quando, em um único dia, o mercado financeiro enfrenta baixas acentuadas. São momentos em que ocorrem muitas vendas de ações, o que gera as quedas nos preços. Então, o mecanismo é acionado, como um botão antipânico.

Como seu intuito é diminuir a volatilidade excessiva no mercado acionário, as negociações ficam impossibilitadas durante um período. Dessa forma, os investidores têm mais tempo para analisar as possibilidades e estratégias.

Vale ressaltar que esse mecanismo não é usado com frequência – na verdade, é atípico.

Existem regras que ditam quando o Circuit Breaker deve ser acionado. Na Bolsa de Valores brasileira (B3), tudo começa com uma queda brusca na cotação do Ibovespa – principal índice de ações do país. As regras são explicadas com mais detalhes adiante.

Regras do Circuit Breaker

O mecanismo não é simplesmente acionado todas as vezes que acontece uma situação de crise. No Brasil, existem as as seguintes regras para o Circuit Breaker entrar em ação:

  • O Ibovespa deve apresentar queda de 10% em relação ao fechamento do pregão anterior. Quando isso ocorre, as atividades são interrompidas por meia hora;
  • Durante a reabertura das atividades, se o índice continuar a despencar até 15%, a interrupção é feita novamente por mais uma hora;
  • Se, mesmo após esse tempo e com nova reabertura, a melhora não acontecer e a porcentagem de queda atingir 20%, a bolsa decide qual será o tempo de suspensão das operações.

Circuit Breaker no Brasil

A primeira utilização do mecanismo no Brasil ocorreu em outubro de 1997, após uma queda brusca na Bolsa de Hong Kong. A situação afetou diversos outros mercados acionários pelo mundo, inclusive no Brasil. O Circuit Breaker foi acionado em três dias diferentes na Bolsa nacional.

No ano seguinte, em 1998, a Rússia enfrentou uma grande crise econômica que impactou todo o mercado global. No Brasil, as perdas chegaram a cerca de US$ 30 bilhões e as atividades foram paralisadas cinco vezes entre agosto e setembro daquele ano.

Em 1999, devido a mudança no registro cambial no Brasil, o País passou por um momento de instabilidade econômica e desvalorização do Real. O Circuit Breaker foi acionado logo na primeira quinzena do ano. O Banco Central (BC) negociou dólares no mercado futuro, resultando em queda no valor médio das ações da bolsa.

Nove anos depois, em 2008, os Estados Unidos passaram por uma das piores crises econômicas da história e diversas empresas vieram à falência. Os impactos se espalharam pelo mundo e ocasionaram Circuit Breaker no Brasil por seis vezes entre setembro e outubro.

Depois, o mecanismo só foi usado novamente em 2017, após a divulgação do áudio de uma conversa entre Joesley Batista, dono da JBS, e o então presidente Michel Temer. A gravação foi feita pelo empresário e aquele dia ficou conhecido como Joesley Day.

Por fim, a última vez em que o Circuit Breaker foi utilizado no Brasil, aconteceu no exemplo que abre este texto – disputa pela cotação do petróleo e o início da pandemia de covid-19 em 2020. Na B3, o mecanismo foi acionado seis vezes, sendo duas delas em apenas um único dia:

  • 9 de março – após um desacordo entre o governo da Rússia e a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), a Arábia Saudita, que é um dos maiores produtores da commodity no mundo, decidiu reagir. Então, ocorreu uma queda de mais de 30% no preço do barril. Em decorrência disso, houve vendas em massa de ações de empresas como a Petrobras, o que culminou em um Circuit Breaker na B3.
  • 11 de março – foi o dia em que a Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou que a crise sanitária passaria a ser considerada uma pandemia. Durante a tarde, o Ibovespa caiu mais de 10% e as negociações foram paradas.
  • 12 de março – duas vezes no mesmo dia. Em meio a continuidade dos acontecimentos, principalmente relacionados à pandemia, o principal índice da Bolsa brasileira caiu ainda mais e o Circuit Breaker foi acionado de novo. Após a retomada das negociações, a queda nos preços continuou e o Ibovespa atingiu baixa de 15%. Então, o mercado foi paralisado por uma hora.
  • 16 de março – a Bolsa já abriu em queda e o mecanismo foi acionado novamente.
  • 18 de março – o último Circuit Breaker até a produção deste texto (junho de 2022) ocorreu por meia hora, com início por volta das 13h.

Pode acontecer outro Circuit Breaker?

Como citado anteriormente, o Circuit Breaker não é usado com grande frequência, mas se trata de uma importante ferramenta para evitar pânico e perdas muito expressivas no mercado acionário.

É comum que fatos desencadeadores desse tipo de evento sejam difíceis – ou mesmo impossíveis – de prever. Quando ocorreu o Joesley Day, uma das surpresas foi justamente o fato de um grande empresário brasileiro ter gravado escondido uma conversa com o Presidente da República.

No final de 2019 o mundo não sabia o que estava por vir poucos meses depois. Mesmo com os problemas causados pela pandemia, o mercado acionário se recuperou da queda causadora dos últimos Circuit Breakers e o mecanismo ainda não foi utilizado novamente.

Para investir com mais segurança, algumas atitudes relativamente simples são importantes, como acompanhar o mercado financeiro e contar com gestões profissionais – é possível ter acesso a esse tipo de trabalho por meio de fundos de investimento ou de forma personalizada, com um assessor.

Autor

Boris Bellini
Jornalista com experiências em marketing, segurança digital, mercado editorial e financeiro. No meio acadêmico, pesquisa a credibilidade jornalística. Anteriormente foi músico, tendo atuado como violoncelista e professor.

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