CRI e CRA: o que é?

Os Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI) e do Agronegócio (CRA) são investimentos de renda fixa isentos de impostos, o que tende a aumentar o lucro bruto dos investidores.

O nome dos ativos indica que, ao adquirir um título desse tipo, a pessoa tem a promessa de receber uma dívida que terceiros possuem com o emissor do CRI ou do CRA. Para entender em detalhes, é preciso conhecer a securitização.

O que é securitização?

O setor imobiliário é um bom exemplo para entender. Suponha que o empresário Marcelo, de 53 anos, é dono de uma construtora que está vendendo imóveis de um novo empreendimento. Serão cinco torres residenciais, cada uma com 17 andares e quatro apartamentos por andar. Ou seja, a companhia planeja vender 340 unidades.

A maior parte dos clientes financia suas compras em pelo menos 10 anos. O problema é que Marcelo precisa do dinheiro agora para construir os prédios e entregar tudo dentro do prazo combinado. Então, ele recorre a uma securitizadora.

Esse tipo de empresa é responsável por comprar as dívidas e “empacotar” em um CRI. Então, o ativo é oferecido ao mercado financeiro, onde as pessoas podem investir dinheiro nessa dívida. Dessa forma, a companhia de Marcelo recebe os valores adiantados e os investidores são remunerados por meio do pagamento de juros.

A principal diferença entre esse modelo e o CRA é o tipo de lastro dos recebíveis securitizados. Enquanto os CRIs costumam ter financiamentos de imóveis ou aluguéis de longo prazo, nos ativos do agronegócio o investidor encontra empréstimos relacionados à produção, industrialização, ao beneficiamento ou até mesmo ao comércio do setor.

O que é CRI e o que é CRA?

O que é CRI e o que é CRA?

Vemos que, de forma geral, são ativos relacionados a dívidas do setor imobiliário ou do agronegócio. Esse tipo de investimento, além de contar com isenção de impostos, também pode oferecer remunerações melhores do que os títulos públicos.

Tanto o CRI quanto o CRA não contam com garantia do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Ao adquirir ativos cobertos pelo fundo, caso o emissor não consiga pagar os investidores, eles recebem seu dinheiro de volta dentro de um limite de R$ 250 mil por CPF e instituição.

Portanto, o CRI e o CRA podem ser considerados mais arriscados que Tesouro Direto – que tem risco soberano – ou mesmo outros ativos de renda fixa cobertos pelo FGC. Porém, como é comum no mercado financeiro, para ser interessante ao investidor, o risco maior também costuma ser atrelado a ganhos maiores.

Será explicado adiante quais garantias o CRI e o CRA podem oferecer para a segurança de quem aplica nesses ativos. Antes, vale a pena conhecer as remunerações disponíveis aos investidores.

Rentabilidade

De forma geral, os papéis podem oferecer dois tipos de rentabilidade diferentes: prefixada e pós-fixada.

Prefixada: o investidor já sabe de antemão qual será a sua remuneração. Ela é expressa em uma porcentagem fixa de juros, como 5% ao ano, por exemplo. Então, é possível até mesmo já saber o quanto de dinheiro será ganho durante o período de investimento.

Pós-fixada: nesse caso é possível saber apenas qual indicador servirá como referência para os retornos pagos, como o CDI ou a Selic (taxa básica de juros do Brasil). Porém, não existe a possibilidade de saber a porcentagem ou as quantias exatas a serem pagas, pois esses indicadores tendem a variar com o tempo e podem subir ou cair – o que impacta a remuneração do investidor.

Geralmente, é oferecida uma porcentagem do indicador: como 90% do quanto render o CDI ou 110% da Selic, por exemplo.

Além desse formato, também existe a taxa pós-fixada somada a uma fixa, chamada de spread. Exemplo hipotético: CDI mais 1% ao ano.

Outra forma de remuneração semelhante utiliza a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ou pelo Índice de Preços Geral – Mercado (IGP-M). Somado a ela, é comum encontrar uma taxa fixa. Ou seja, o investidor pode se proteger da alta generalizada dos preços e ainda garantir uma rentabilidade acima dela, como 5% ao ano, por exemplo. 

Prazo de investimento

CRI e CRA costumam ser investimentos de longo prazo – com períodos de quatro a 10 anos, podendo chegar a até 15.

É importante ter em mente que não há como resgatar o dinheiro antes desse período. Caso seja necessário ter o dinheiro de volta antes do prazo, é possível negociar o título com outros investidores no mercado secundário. Porém, a liquidez é considerada baixa – ou seja, não é fácil e nem rápido reaver os valores investidos.

Além disso, ao negociar um CRI ou um CRA no mercado secundário, ele será vendido por preços praticados pelo mercado no momento – que podem ser maiores ou menores do que os retornos oferecidos pelo emissor quando o investimento foi feito.

Taxas e impostos

Conforme citado no início do texto, o investimento em CRI e CRA é isento do Imposto de Renda (IR), que costuma ser cobrado em alíquotas entre 22,5% e 15% nos investimentos de renda fixa. Também há isenção do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).

Além disso, não é comum ser cobrada taxa de administração nos Certificados. As corretoras podem cobrar pela corretagem (aquisição do ativo) ou pela custódia do papel em nome do investidor. Porém, é possível encontrar instituições que deixam os investidores isentos dessas taxas.

Garantias do CRI e do CRA

Ao aportar dinheiro nesses tipos de ativos, o principal risco corrido pelos investidores é a capacidade de pagamento de quem contraiu a dívida. Porém, é possível contar com garantias.

Geralmente os papéis contam com rating, uma classificação de risco feita por agências internacionais especializadas. Quanto maior a nota, mais seguro tende a ser o investimento. Pode haver ainda ativos dados como garantia aos investidores – como imóveis por exemplo – que podem ser executados para pagar uma possível dívida.

Vantagens e desvantagens

  • A principal vantagem é a rentabilidade que pode ser atingida, tanto por os papeis oferecerem retornos maiores do que outros ativos de renda fixa quanto pela isenção de impostos que pode ser aliada à isenção de taxas. Dessa forma, toda a rentabilidade tende a se traduzir em ganhos para o investidor.
  • Porém, essas vantagens são acompanhadas de uma baixa liquidez, que pode ser considerada uma desvantagem. Também é possível que investidores sintam desconforto pelo fato de os ativos serem mais arriscados que outros de renda fixa e não contarem com cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC).

Como escolher um CRI ou um CRA

De maneira geral, é interessante analisar o prazo de investimento, a rentabilidade oferecida e o risco de cada ativo. A partir disso, é possível saber qual se encaixa melhor nos objetivos e perfil de cada pessoa.

As análises de quais ativos irão compor a carteira podem sempre ser feitas com a ajuda de um assessor – profissional com conhecimento e experiência no mercado dedicado exclusivamente aos investimentos.

Autor

Boris Bellini
Jornalista com experiências em marketing, segurança digital, mercado editorial e financeiro. No meio acadêmico, pesquisa a credibilidade jornalística. Anteriormente foi músico, tendo atuado como violoncelista e professor.

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