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Custo de oportunidade: dos investimentos à vida pessoal

O custo de oportunidade é um conceito da economia que pode ser aplicado a diversas áreas da vida. De forma geral, significa abrir mão de algo quando se toma uma decisão.

Geralmente, quando um investidor decide aplicar seu dinheiro na renda fixa, ele tem como um dos principais benefícios a segurança dos valores aportados. Porém, isso requer abrir mão das possibilidades de rendimento da renda variável – onde os ganhos podem ser maiores.

No caso do exemplo, também vale o inverso: ao investir em renda variável, é possível ter ganhos acima dos oferecidos na renda fixa, porém, o investidor abre mão de mais segurança.

Com isso já é possível observar duas características do custo de oportunidade: primeiro, trata-se de algo pessoal, não há certo ou errado para decidir entre renda fixa e variável. Existem as necessidades, os planos e o perfil de cada investidor. Segundo, como dito anteriormente, o custo de oportunidade pode ser usado em diferentes situações da vida: em um final de semana quente é melhor viajar para a praia ou ficar em casa estudando?

O conceito também está ligado à escassez. No caso do final de semana, a pessoa só tem dois dias para escolher o que será melhor naquele momento – descansar na praia ou se dedicar ao aprendizado de algo.

O que é o custo de oportunidade

O que é custo de oportunidade?

O custo de oportunidade, conforme visto, é algo do qual se abre mão em uma tomada de decisão. Também é possível considerar como: um benefício que se perde em detrimento de uma escolha.

Ao levar o conceito para o mundo dos negócios, pode-se pensar em diferentes exemplos, como uma fábrica que opta por produzir um novo produto e, para isso, compra uma máquina nova. Porém, não há demanda para usar o equipamento e ele só é utilizado na metade do tempo que se pretendia. Enquanto está parada, a máquina não tem como gerar ganhos que justifiquem seu investimento.

Então, nesse caso, os gastos com o equipamento podem acabar sendo maiores do que o aumento nos lucros da empresa. Nesse caso, o custo de oportunidade pode não ter sido bem analisado.

Para que serve o custo de oportunidade?

O conceito é importante para tomar boas decisões. Se for deixado de lado, ainda é possível realizar escolhas, porém, elas serão feitas com menos referências e as chances de erro podem ser muito maiores.

Então, ao fazer investimentos, administrar uma empresa e até mesmo tomar decisões na vida pessoal, é importante calcular o custo de oportunidade.

Vale frisar que não existe certo e errado nesse caso: a pessoa deve considerar o que vai ganhar e o que vai deixar de ter em cada escolha.

Custo de oportunidade nos investimentos

Quando se opta por aportar em um fundo de investimento, uma das vantagens é contar com a gestão profissional da carteira de ativos. Além de conhecer o mercado e acompanhar as questões que o influenciam, o gestor pode fazer comparações entre diferentes investimentos.

Então, em sua análise para escolher os melhores ativos, o profissional pode realizar cálculos de taxas de retorno de vários ativos diferentes para entender quais terão capacidade de gerar melhores rendimentos à carteira e como distribuir o capital entre eles.

Este é um exemplo de como o custo de oportunidade é importante, afinal, é uma forma de entendê-lo em relação às possibilidades de investimento do fundo. Um investidor que não tem meios para fazer esse tipo de análise pode ter chances menores de realizar aportes mais corretos.

O custo de oportunidade não é apenas um cálculo matemático. Nem tudo está implícito em uma decisão de investimento ou mesmo em contratos firmados nos negócios. Uma boa forma de mensurar o custo de oportunidade é perguntando a si mesmo: “o que eu perco ao fazer esta escolha?”; e “o que eu ganho se não optar por ela?”.

Podemos, então, retomar o exemplo da decisão entre renda fixa e renda variável. Um investidor de perfil conservador dificilmente se sentirá confortável se comprar ações de uma empresa e, em determinado momento, ver as cotações caindo – ainda que possa ser um bom negócio no longo prazo. Então, para essa pessoa, a tranquilidade em relação aos investimentos pode ser considerada no custo de oportunidade.

Já um investidor de perfil agressivo tende a se sentir diferente em relação aos riscos. Se uma pessoa assim investir a maior parte do seu capital em renda fixa, ela pode, por exemplo, ficar se perguntando qual teria sido seu rendimento caso tivesse se arriscado mais.

Tipos de custo de oportunidade

Existem diferentes tipos de custos de oportunidade, dos quais destacamos três:

  1. Custo de oportunidade escondido: como o nome diz, ele fica camuflado, portanto, é difícil mensurá-lo. Certas operações do mercado financeiro, por exemplo, têm custos embutidos difíceis de serem encontrados, mas que refletem no desempenho da aplicação.
  2. Custo de oportunidade aberto: o exato oposto. Neste caso, não há nada camuflado. Portanto, são custos que não ficam embutidos de forma automática em uma aplicação.
  3. Custo de oportunidade contábil: se refere ao valor que uma empresa deixa de lucrar quando realiza determinado investimento ao invés de outro.

Como calcular o custo de oportunidade?

Nos investimentos é importante ter referências para saber se um ativo é vantajoso ou não quando se vai calcular seu custo de oportunidade.

Por isso existem métricas usadas como referência – também chamadas de benchmarks. Para a renda fixa, o investidor pode optar pela taxa básica de juros do Brasil, a Selic. Além disso, a taxa do CDI (Certificado de Depósito Interbancário), geralmente com valores próximos à Selic, também é frequentemente utilizada. Existem ativos que oferecem rentabilidades iguais a esses indicadores, porém, é possível encontrar outros com retornos maiores.

No caso da renda variável, um benchmark bem utilizado é o índice Ibovespa, que procura refletir o desempenho médio das ações negociadas na Bolsa de Valores brasileira, a B3.

Existe custo de oportunidade zero?

Sim, ele existe. Como foi visto ao longo do texto, o custo de oportunidade envolve fazer uma escolha entre duas ou mais opções sendo que qualquer uma resultará em benefícios e desvantagens.

Por outro lado, há situações em que não se tem nenhum tipo de opção para escolher. Existem outras também em que, independentemente da decisão tomada, não haverá ônus e bônus em decorrência dela. Nesses casos, como não é necessário abrir mão de algo para ter outra coisa, o custo de oportunidade é zero.

Autor

Boris Bellini
Jornalista com experiências em marketing, segurança digital, mercado editorial e financeiro. No meio acadêmico, pesquisa a credibilidade jornalística. Anteriormente foi músico, tendo atuado como violoncelista e professor.

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