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Expectativas para a Selic em 2023

As duas primeiras edições do Relatório Focus de 2023 mostram um aumento nas expectativas para a taxa Selic neste ano e no próximo. Até dezembro, esperava-se que os juros encerrassem este ano em 12% e fossem reduzidos a 9% ao longo de 2024. Agora, as projeções são de 12,25% e 9,25% respectivamente.

Desde setembro do ano passado, a Selic, taxa básica de juros do país, é mantida pelo Banco Central em 13,75% ao ano.

Neste texto, buscamos entender os motivos que levaram à mudança nas expectativas para os juros. Além disso, procuramos uma resposta para a seguinte pergunta: a partir de quando haverá cortes na Selic?

Por que a expectativa para os juros subiu?

Por que a expectativa para os juros subiu? / Homem na área externa de um escritório, como uma sacada, sentado em uma cadeira, com os pés apoiados em um pufe e um notebook no colo. Ele olha para a tela com uma expressão concentrada enquanto coça a parte de trás da cabeça.

Antes, vale destacar o que é o Relatório Focus: semanalmente, o Banco Central (BC) consulta 100 instituições financeiras sobre suas expectativas para indicadores econômicos importantes. Os números apresentados na publicação representam a mediana dessas visões.

Então, pode-se dizer que o mercado aumentou em 0,25% as projeções para a Selic em 2023 e 2024. O principal motivo é o cenário fiscal no novo governo do Brasil. “O mercado passou a precificar a taxa Selic mais alta por mais tempo, em resposta à política fiscal mais expansionista sacramentada pela PEC da Transição.” A explicação é de relatório produzido por economistas e estrategistas da XP, como o economista-chefe, Caio Megale.

A head da mesa digital da SVN Investimentos, Beatriz Prata, apresenta a situação de uma forma resumida. Ela explica que o novo governo pretende colocar mais dinheiro na mão das pessoas por meio de programas sociais. Com dinheiro, a população tende a aumentar o consumo, o que eleva a inflação.

A Selic vai subir em 2023?

A Selic vai subir em 2023? / Mulher sentada à mesa em um escritório analisando papéis junto a calculadora, notebook, caneta e caderno. Ela usa óculos e o segura com a mão esquerda, enquanto mantém um papel na outra.

De acordo com agentes do mercado, não.

Apesar de o Focus ter registrado um aumento das projeções para a taxa básica de juros, a publicação ainda aponta para cortes em 1,50% neste ano.

Prata explica que o Banco Central pode demorar um pouco mais do que o esperado para começar a baixar os juros, além de realizar cortes menores. Porém, não acredita em um aumento da taxa de juros.

Ela ainda aponta ter visto pessoas falando em alta para 2023, mas reforça discordar dessa visão: “A dívida do governo é atrelada à Selic, como no Tesouro Selic, por exemplo. Então, para o governo também não é interessante uma taxa de juros altíssima. Ou ele teria que emitir mais dinheiro para pagar, o que gera uma inflação ainda mais alta”.

Juros em 13,75%: até quando?

Juros em 13,75%: até quando? / Duas mulheres analisam vários papéis que mostram diferentes gráficos. Na mesa também há óculos, calculadora e dois notebooks.

Essa ainda é uma pergunta sem resposta, pois é cedo para um consenso.

Por exemplo, a equipe da XP tem uma visão diferente da mediana registrada no Focus. Para o grupo, nem mesmo haverá um corte na Selic em 2023: “Nós alteramos, já no mês passado (dezembro), nossa projeção para a taxa de juros básica no final deste ano, de 10,00% para 13,75%”, aponta o relatório.

Beatriz Prata explica que é cedo para definir quando começam os cortes, pois o Brasil ainda está nas primeiras semanas de um novo governo. Portanto, é necessário esperar para se ter uma visão mais concreta sobre questões como política fiscal, inflação e, consequentemente, a taxa de juros.

Para ela, essa deve ser inclusive a postura do BC, com o intuito de evitar medidas precipitadas: “Eles não vão cortar os juros para voltar atrás e subir de novo. Acho que vão pensar bem antes de fazer esse corte para não correr o risco de perder o controle da inflação”, explica a head da mesa digital da SVN Investimentos.

Quando a inflação voltará à meta?

Quando a inflação voltará à meta? / Duas mulheres em um escritório analisam algo em um tablet. Elas também estão sorrindo em frente há uma mesa com papéis que mostram diferentes gráficos.

A taxa de juros é utilizada basicamente para o controle da inflação. O Brasil conta com um sistema de metas definidas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). São estipuladas taxas para o avanço dos preços, com valores mínimos e máximos de tolerância. Como referência é utilizado o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

Na esteira dos problemas causados pela pandemia de covid-19, o país teve inflação acima do teto da meta nos últimos dois anos. Em 2021, o IPCA registrou aumento de 10,06% e, no ano passado, a alta foi de 5,79%.

O ápice da inflação no período ocorreu em abril de 2022, quando o acumulado de 12 meses registrou alta de 12,13%.

Os efeitos do aumento da taxa básica de juros não são imediatos na economia e, como se pode notar, o avanço da inflação tem recuado.

Além disso, vale destacar que o cenário brasileiro não é uma exceção. Inflação e alta dos juros têm sido realidade em diferentes partes do mundo, como nos Estados Unidos e na União Europeia, por exemplo.

A CMN estipulou que o IPCA deve atingir, no máximo, 4,75% em 2023. Porém, de acordo com as projeções atuais, o índice deve ultrapassar esse valor novamente. Para o ano que vem, a meta da inflação é de 3,0%, podendo oscilar entre 1,50% e 4,50%.

A tabela a seguir mostra projeções para o IPCA deste ano e do próximo. Foram utilizados dados de janeiro da XP e do Relatório Focus do dia 9 do mesmo mês.

XPFocus
20235,4%5,36%
20244,0%3,70%

Acima do teto da inflação

Quando a inflação estoura o limite estabelecido (teto), o presidente do BC envia uma carta ao ministro da Fazenda. No texto, ele explica o que motivou o descumprimento, o que será feito para corrigir a situação e em qual prazo.

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, endereçou sua carta ao novo titular da Fazenda, Fernando Haddad. O líder do Banco Central afirma que a alta das commodities, principalmente do petróleo, junto à retomada das atividades econômicas foram os principais motivos que levaram ao estouro do limite para o IPCA em 2022.

Campos Neto corroborou com as expectativas de que, neste ano, a inflação fique acima da meta novamente. Ainda de acordo com ele, o fato deve ocorrer principalmente por conta de um possível retorno dos impostos sobre combustíveis.

Porém, o presidente do BC considera que o problema deve ser sanado a partir do próximo ano: “o cenário é de convergência da inflação para as suas metas”.

Acima do teto da inflação e a trajetória dos juros / A imagem acontece em um fundo totalmente branco. Há dois cubos de madeira em uma superfície, o da esquerda apresenta um símbolo de porcentagem, o da direita, que é segurado por uma mão masculina, tem uma seta para cima em um lado e uma seta para baixo em outro. Ele pode terminar o um giro para qualquer uma das direções.

A trajetória dos juros

Em 2020, com o início da pandemia, o Banco Central reduziu a Selic para um recorde de 2,0% ao ano. O patamar foi mantido até maio de 2021, quando a taxa passou a subir. Naquele momento começava o maior ciclo de aperto monetário da história.

O BC promoveu elevações consecutivas na taxa básica de juros até setembro de 2022, quando a Selic chegou a 13,75% ao ano. Desde então, a taxa básica de juros tem sido mantida neste valor.

Impactos para o investidor

Impactos para o investidor / Dois homens de social sorriem durante um aperto de mãos.

Quando se fala em taxa de juros alta, há um caminho mais óbvio para os investimentos: a renda fixa. Ativos atrelados à Selic e ao CDI – atualmente em 13,65% – passam a oferecer rentabilidades atrativas com níveis interessantes de segurança.

Porém, Beatriz Prata ressalta que o cenário pode abrir oportunidades na Bolsa. O que deve definir as melhores alocações “é muito mais o perfil do cliente”, explica.“Eu não excluiria nenhum investimento em nenhum momento. Eu acho que sempre é importante ter um pouco de cada ativo na carteira, desde que seja alinhado com o seu perfil”, finaliza a head da mesa digital da SVN Investimentos.

Autor

Boris Bellini
Jornalista com experiências em marketing, segurança digital, mercado editorial e financeiro. No meio acadêmico, pesquisa a credibilidade jornalística. Anteriormente foi músico, tendo atuado como violoncelista e professor.

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