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Renda Fixa: o que é e como funciona?

Se o investidor busca estabilidade e segurança nos rendimentos, é na Renda Fixa que ele encontra as melhores opções de aplicações. Nesta modalidade, a rentabilidade é previsível.

Este costuma ser o primeiro tipo de investimento de quem está começando no mercado financeiro. Por isso, a maioria dos ativos de renda fixa são voltados para investidores de perfil precavido – aqueles que abrem mão de possibilidades de ganhos maiores para ter mais segurança na carteira.

Os títulos podem ser emitidos pelo governo ou por empresas privadas. De modo geral, quando o investidor adquire um papel, ele empresta dinheiro ao emissor. Em troca, é dada uma remuneração na forma de juros durante o período de investimento.

Informações como prazos, taxas e índices de referência são pré-definidos antes da aplicação ser realizada.

É importante ter em mente que simplesmente investir em Renda Fixa não garante certeza total do retorno da aplicação, e há riscos de mercado e de crédito.

Uma das vantagens oferecidas nesse tipo de investimento é a variedade. Os tipos de títulos são divididos de acordo com características como objetivos, risco, emissor e rentabilidade, por exemplo.

Podemos destacar: Poupança, Tesouro Direto, CDB, LCI e LCA, Debênture, Letra de Câmbio, CRI e CRA. Cada um é explicado com maiores detalhes adiante. Após os títulos, o texto aborda questões mais gerais, como rentabilidade e cobrança de impostos.

Poupança

Poupança / A foto mostra um homem segurando um cofrinho de porco e uma mulher, ao seu lado, colocando uma moeda.

Apesar da baixa rentabilidade, a poupança é o investimento preferido dos brasileiros. Além disso, as regras e a rentabilidade são todas definidas pelo e não há taxa de aplicação e nem pagamento de Imposto de Renda (IR).

Desde maio de 2012, a regra de rendimento da poupança que prevalece é: caso a Selic estiver acima de 8,5% ao ano, o rendimento da poupança será de 0,5% ao mês mais a variação da TR; ou, se a Selic estiver igual a ou abaixo de 8,5% ao ano, o rendimento da poupança será equivalente a 70% da Selic mais a variação da TR.

Então, o investidor que mantém poupanças anteriores a 2012, continua recebendo rendimentos como antigamente: 0,5% ao mês mais a variação da TR.

Mesmo quando paga a rentabilidade maior, a poupança pode não ser suficiente para o investidor proteger seu patrimônio do avanço da inflação. Ou seja, com o passar do tempo, o dinheiro vale cada vez menos. Para entender melhor essa dinâmica, acesse o Simulador Poupança vs. IPCA.

Tesouro Direto

Tesouro Direto / A imagem destaca cinco pilhas de moedas enfileiradas. A pila da esquerda é pequena e elas aumentam até a da ponta direita, que é a maior de todas. Ao fundo é possível ver parte de um homem sentado mexendo em papéis e em uma calculadora na mesma mesa onde estão as moedas.

O Tesouro Direto é formado por títulos públicos emitidos pelo Governo Federal. Então, o investidor empresta dinheiro ao governo e recebe juros como forma de remuneração.

Os papéis costumam oferecer rentabilidade superior à poupança e são considerados entre os investimentos mais seguros do Brasil, pois contam com risco soberano. Ou seja, os investidores só tomam calote caso o país quebre, o que é considerado pouco provável.

Há três modalidades no Tesouro Direto: 

  • Prefixados – Tesouro Prefixado e Tesouro Prefixado com Juros Semestrais; 
  • Pós-fixados – Tesouro Selic; 
  • Híbridos, atrelados à inflação – Tesouro IPCA+ e Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais.

Entre as taxas cobradas nestes títulos, estão a tarifa de custódia paga à B3, que organiza o sistema do Tesouro Direto e a de administração de banco ou corretora que faz a intermediação das operações. Atualmente é possível encontrar corretoras que oferecem isenção dessas tarifas.

O investimento também está sujeito ao pagamento de Imposto de Renda (IR) e pelo Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).

A forma como os impostos são cobrados e cada um dos tipos de rentabilidades serão explicados com mais detalhes adiante.

CDB

CDB / A foto mostra um homem de óculos e camisa social sentado em frente a uma escrivaninha mexendo no celular. Na frente dele tem um notebook e um caderno com uma caneta em cima.

O Certificado de Depósito Bancário (CDB) é um título que pode ser emitido por instituições financeiras. Então, ao investir em um CDB, o cliente empresta dinheiro ao banco e recebe uma remuneração baseada no percentual de um índice de referência – geralmente o CDI.

Trata-se de um investimento geralmente seguro e prático. Porém, os rendimentos dos CDBs são tributados pelo Imposto de Renda e também pode haver incidência de IOF.

Uma vantagem interessante está no fato de os títulos possuírem cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) – organização privada, sem fins lucrativos, que visa a proteção de investidores caso o emissor do ativo não possa pagar a dívida. O valor coberto é de até R$ 250 mil por cliente e por instituição.

LCI e LCA

Letra de Crédito Imobiliário (LCI) ou Letra de Crédito do Agronegócio (LCA) são títulos emitidos por instituições financeiras autorizadas pelo Banco Central. Trata-se de um investimento com lastro nos setores que os nomeiam. Ao aplicar nessa categoria, o investidor incentiva o setor imobiliário ou o agronegócio – por isso, os papéis são isentos de Imposto de Renda.

Semelhantes aos CDBs, LCIs e LCAs com rentabilidade pós-fixada são mais comuns de serem encontradas no mercado.

Debêntures

Debêntures / A foto mostra um homem em pé, com um celular na mão, mas olhando para a frente.

As Debêntures são títulos de dívida emitidos por empresas. Elas podem investir o dinheiro recebido dos investidores em operações como expansão ou aquisição de outra companhia, por exemplo. O vencimento costuma ser mais longo do que outros produtos de Renda Fixa – entre cinco e dez anos.

Em relação ao retorno, é possível encontrar Debêntures prefixadas, pós-fixadas e híbridas. Os ganhos obtidos no investimento são taxados de acordo com as tabelas regressivas do IR e do IOF.

Porém, existem exceções: as Debêntures Incentivadas são utilizadas na captação de recursos para obras de infraestrutura do país e contam com isenção de impostos.

Letra de Câmbio

Letras de Câmbio são títulos emitidos por financeiras. É possível encontrar rentabilidades prefixadas, pós-fixadas e híbridas. O investimento também oferece proteção do FGC.

CRI e CRA

CRI e CRA / A foto mostra a mão de um homem segurando um tablete virado para cima, com vários gráficos desenhados em cima do tablet.

Os Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) e do Agronegócio (CRA) incluem securitização, ou seja, transforma dívidas – como parcelas de um financiamento imobiliário ou o pagamento de aluguéis mensais, por exemplo – em papéis negociados no mercado financeiro. Ao comprar um CRI ou CRA, o investidor recebe juros como remuneração.

Índices de referência

A rentabilidade oferecida varia de acordo com diferentes características, como o título escolhido, o prazo de investimento e o emissor do papel, por exemplo.

De modo geral, existem os prefixados, que oferecem uma taxa fixa, e os demais, atrelados a indicadores como Selic, IPCA e CDI.

Taxa Selic: é a taxa básica de juros da economia brasileira e seu valor é determinado periodicamente pelo Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central.

Certificado de Depósito Interbancário (CDI): representa a média de juros de operações de empréstimo de curto prazo realizadas diariamente pelos bancos entre si. É comum que os ativos ofereçam uma porcentagem do CDI. Há casos em que o investidor encontra retorno referente a 100% da taxa, mas também existem papéis que oferecem valores menores ou maiores.

Por exemplo, em uma aplicação com remuneração de 80% do CDI, o investidor receberá 80% de quanto a taxa render no período. É comum que o CDI tenha valores próximos à Selic.

Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA): calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ele é considerado como a inflação oficial do Brasil. Ativos atrelados ao índice podem ajudar o investidor a proteger seu patrimônio do avanço da inflação.

Tipos de rentabilidade da Renda Fixa

Tipos de rentabilidade da Renda Fixa / A foto mostra um notebook, com um gráfico na tela, e um homem ao lado, de terno, apontando com uma caneta para um ponto do gráfico.

Existem três tipos mais comuns de rentabilidade encontrados na Renda Fixa:

Título Prefixado: os juros são fixos e estabelecidos no instante da aquisição. Assim, o investidor consegue saber exatamente quanto vai receber na data de vencimento.

Título Pós-fixado: a remuneração está ligada ao indicador de referência – Selic ou CDI, geralmente. O valor da remuneração é atualizado com base na variação do indicador. No momento da aplicação, é possível saber qual indicador será usado para referenciar o pagamento dos juros, mas não há como ter certeza do valor (em reais) que será recebido, já que as taxas podem sofrer alterações.

Título Híbrido: mescla as características dos outros dois papéis. Sendo assim, uma parte da remuneração é feita por meio de juros fixos e outra, por um indicador que sofre variações. Por exemplo, o papel pode oferecer IPCA + 5%. Então, o investidor sabe que irá receber o equivalente a inflação do período mais 5% de ganho fixo.

Tributação da Renda Fixa

Tributação da Renda Fixa / A foto mostra um homem sentado em um sofá, em frente a uma janela. Ele usa óculos, está com um fone sem fio, vestido de social e olhando concentrado para um notebook em seu colo.

A maioria dos investimentos de Renda Fixa são tributados da mesma forma: os lucros ficam sujeitos ao Imposto de Renda (IR), de acordo com a tabela regressiva, e também pode haver cobrança do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), caso o resgate seja feito antes de 30 dias.

Tabela de cobrança do IR:

Período de investimentoAlíquota (%)
Até 180 dias (6 meses)22,5%
De 181 a 360 dias (6 meses a 1 ano)20,0%
De 361 a 720 dias (1 a 2 anos)17,5%
Acima de 720 dias (2 anos)15,0%

O IOF também é cobrado de maneira regressiva, sendo que 96% do valor ganho é taxado quando o resgate ocorrer no primeiro dia. A porcentagem diminui e, a partir de 30 dias o imposto não é mais cobrado.

Vale lembrar que há exceções. Por exemplo, as Letras de Crédito Imobiliário e do Agronegócio (LCI e LCA) são isentas de impostos, assim como as Debêntures Incentivadas.

Vantagens e desvantagens da Renda Fixa

Vantagens e desvantagens da Renda Fixa / A foto mostra um homem e uma mulher, ambos de avental, sentados em frente a uma mesa, com xícaras na mão. Ela olha sorrindo para um computador e ele olha para ela.

Entre as principais vantagens da Renda Fixa, pode-se destacar:

  • Rentabilidade
  • Segurança
  • Acessibilidade
  • Diversificação
  • Facilidade

Ainda há ativos que oferecem isenção de impostos e/ou liquidez diária – ou seja, caso o investidor necessite dos recursos, o dinheiro cai na conta no mesmo dia em que for pedido o resgate.

Porém, assim como todo investimento, também existem desvantagens. Há papéis que possuem carência, por exemplo – Nesse caso, os valores aportados não podem ser resgatados antes de um prazo mínimo de investimento.

Às vezes, uma pessoa até consegue negociar com outros investidores um ativo dentro da carência. Isso é feito por meio do mercado secundário. Porém, a liquidez pode ser muito baixa e os ganhos, maiores ou menores do que o acordado quando a aplicação foi feita.

Outra desvantagem que o investidor pode encontrar é o caso de ativos sujeitos a cobrança de impostos. De qualquer forma, vale sempre analisar cada investimento com cuidado e contar com a ajuda de um assessor, pois, mesmo com a cobrança, um ativo pode ser interessante para determinado perfil e objetivo.

Renda Fixa X Renda Variável

Renda Fixa X Renda Variável / A foto mostra o logo da B3 em uma parede no prédio da sede da Bolsa de Valores. O logo é uma letra B entre colchetes, com um número três igual ao sinal de "ao cubo" e ao lado está escrito "Brasil, Bolsa, Balcão".

Uma das dúvidas que podem surgir entre os investidores que estão iniciando no mercado financeiro é decidir entre investir em Renda Fixa ou em Renda Variável – por meio da compra de ações da Bolsa de Valores, por exemplo.

Importante frisar que se trata de duas modalidades distintas de investimento.

Como visto, na Renda Fixa a remuneração é estabelecida desde o início da aplicação. Já nos investimentos em Renda Variável, é o contrário – o investidor não tem como saber de antemão qual será a rentabilidade da aplicação.

Na verdade, geralmente não há nem mesmo uma garantia de que haverá retorno positivo. Além disso, mesmo os investimentos bem sucedidos ficam sujeitos à volatilidade – sendo que em um dia podem haver perdas seguidas de ganhos no dia seguinte, por exemplo.

Vale destacar que os investimentos em Renda Variável sofrem mais impacto em relação aos acontecimentos do Brasil e do mundo – principalmente no cenário político e econômico.

Análise de risco

Análise de risco / A foto destaca a mão de uma pessoa com a palma virada para cima, segurando uma caneta, como se estivesse explicando algo para alguém. Na outra mão ela tem uma prancheta com papéis. Em frente há uma mesa com papeis e um notebook.

Os investimentos em Renda Fixa também possuem níveis de risco diferentes – há opções tanto para investidores precavidos quanto para destemidos. Os de Renda Variável, por sua vez, têm alto nível de risco, e por isso não costumam ser indicados para quem prefere ter mais segurança.

As rentabilidades também seguem um índice de referência diferente. Enquanto a Renda Fixa é baseada nos indicadores citados, como o CDI e a taxa Selic, a Renda Variável costuma considerar outros índices.

Para citar dois exemplos, temos o IBOV, que é um dos mais comuns e serve como termômetro do desempenho das ações das principais empresas negociadas na Bolsa de Valores do Brasil. Além dele, há o IFIX, referente aos Fundos de Investimentos Imobiliários (FIIs).

Renda Fixa é sinônimo de rendimento baixo?

Renda Fixa é sinônimo de rendimento baixo? / A foto mostra um homem de terno e gravada sorrindo em uma ligação no celular.

Não necessariamente. Como existem muitos ativos e diversos emissores diferentes, é possível encontrar oportunidades distintas na Renda Fixa.

Um exemplo são os FIDC, um tipo de investimento que procurar equilibrar níveis de segurança mais comuns na Renda Fixa, com ganhos semelhantes aos encontrados na Renda Variável. Esse não é um ativo tão comum quanto os outros apresentados neste texto. Para conhecer melhor, confira o artigo sobre FIDC no Portal SVN.

Além disso, como foi visto, os produtos costumam oferecer rentabilidade atrelada a algum índice – IPCA, Selic ou CDI. Há períodos em que essas taxas passam por alta e os retornos da Renda Fixa também.Em 2022, por exemplo, com a inflação e a Selic registrando chegando ao patamar de dois dígitos, o que se viu foi uma onda de alta entre os ativos mais seguros. Os ganhos na Renda Fixa chegaram facilmente ao patamar de 1% ao mês. Esse é um assunto que pode ser visto com mais detalhes aqui.

Autor

Boris Bellini
Jornalista com experiências em marketing, segurança digital, mercado editorial e financeiro. No meio acadêmico, pesquisa a credibilidade jornalística. Anteriormente foi músico, tendo atuado como violoncelista e professor.

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