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Onde Investir em 2023

Onde investir em 2023? Todo mês de janeiro essa mesma pergunta costuma ecoar na cabeça de quem investe. Abre-se, então, a temporada oficial de caça às melhores oportunidades para impulsionar os ganhos da carteira. Mas a dinâmica do mercado este ano promete ser peculiar.

Os efeitos colaterais da pandemia se apresentam com força em todo o globo: diante da inflação alta, as taxas de juros avançam nas principais economias do mundo – o que pode resultar em recessão. Por aqui, esperamos crescimento menor da economia, juros elevados e inflação ainda acima do teto da meta (4,75%) para 2023. 

Fonte: XP/Investing

2023: cenário nebuloso pode guardar oportunidades

  • Investidores operam com cautela à espera dos próximos passos da nova política econômica
  • Questão fiscal segue no radar: governo irá gastar mais do que arrecada em 2023

Incerteza. Essa é a palavra que resume a percepção dos investidores em relação ao Brasil em 2023. Juros altos, economia mundial em declínio, endividamento das famílias e um mercado de trabalho mais fraco. Todos esses fatores justificam a previsão de desaceleração para o PIB (Produto Interno Bruto) – de 3% para 1% – neste ano. 

A preocupação fiscal é outro foco de cautela. O temor de elevação de gastos durante a gestão de Lula preocupa o mercado. O cenário externo desafiador também segue na lista de preocupações.

Com juros mais altos nos Estados Unidos, em tese, muitos investidores podem preferir deixar os recursos rendendo na renda fixa norte-americana (que tem baixo risco) do que comprar ativos de países emergentes como o Brasil. No entanto, a recuperação da China pode equilibrar essa equação – vamos abordar o tema mais adiante.

Vento contra, vento a favor

A notícia boa é que os períodos de turbulência geralmente apresentam boas oportunidades para quem investe com foco no longo prazo. O mercado funciona em ciclos, que podem alternar períodos de baixa profunda com altas significativas. Em momentos de incerteza, o preço de ativos de qualidade tendem a ficar atrativos. Então é o momento de buscar boas aquisições para a carteira, que podem refletir em ganhos no futuro.

Ter essa visão panorâmica do mercado é essencial para formular uma estratégia assertiva. Com os olhos no retrovisor, percebemos que desde 2014, o Ibovespa fechou apenas três anos no vermelho – e seis no azul. Essa visão corrobora com o conselho dos especialistas: o longo prazo é o melhor aliado para quem quer formar ou aumentar o patrimônio no mercado financeiro.

Onde investir em Renda Fixa

Diante do cenário desafiador, o investidor pode garantir rentabilidade na faixa de 1% com ativos que tem baixo, ou zero, risco. Não é por acaso que os analistas seguem indicando a presença de uma parcela considerável de ativos da Renda Fixa na carteira.

Na visão da XP, os títulos de Renda Fixa pós-fixados seguem sendo a melhor opção –  principalmente os atrelados à inflação. Quem escolher colocar ou manter os prefixados na carteira deve ter maior cautela por conta da volatilidade do mercado – que tende a se estender pelos próximos meses. Confira mais sugestões de alocação no e-book ‘Diversifique! Sua carteira recomendada para 2023’.

Ibovespa a 125 mil pontos 

Esse é o valor justo apontado pelos analistas da XP para o principal índice de ações do Brasil no fim do ano. Em 2022, o Ibovespa acumulou alta de 4,69%, e terminou dezembro aos 109 mil pontos.

“Para 2023, temos uma visão um pouco mais cautelosa para a Bolsa brasileira como um todo, considerando os riscos de uma recessão global. Na parte doméstica, também pairam dúvidas sobre quais serão as políticas no próximo governo”, escrevem Fernando Ferreira, Jennie Li e Rebecca Nossig, em relatório.

Os analistas aconselham evitar colocar ou manter na carteira ativos negociados por valores muito esticados/altos – o que inclui empresas de crescimento, como e-commerce. Por outro lado, os especialistas enxergam boas oportunidades no setor de óleo e gás, que “deve se beneficiar da dinâmica de oferta e demanda ainda favorável para os preços de energia no médio prazo”. Outra dica é apostar em negócios com teses de expansão pouco relacionadas com a atividade econômica.  

Fundos Imobiliários

O IFIX, índice que reúne os principais Fundos Imobiliários (FIIs) do país, terminou 2022 com leve ganho de 2,22% – e voltou ao campo positivo depois de dois anos de queda. Assim como outros ativos de renda variável, os fundos imobiliários são afetados por fatores macroeconômicos. O segmento passou por um período de grande volatilidade no ano passado em meio ao ambiente de inflação alta, juros elevados e incerteza eleitoral. 

Mas mesmo com essas turbulências, o IFIX mostrou resiliência. O índice não só fechou o ano passado no azul, como teve a sua base de investidores ampliada em mais de 40%. “No ano passado, observamos que as maiores valorizações dentre os fundos que compõem o IFIX foram os FIIs (de papel) – recebíveis e fundos com operações BTS (que se assemelham às operações de crédito)”, aponta a Levante Corp em relatório assinado por Felipe Sousa e Matheus Fonseca. 

Onde investir em FIIs

Diante da percepção de que a taxa de juros se mantenha no patamar de 13,75% durante boa parte do ano, os fundos de recebíveis imobiliários (fundos de papel) seguem como boas alternativas. “Os portfólios dos FIIs de recebíveis são, em grande parte, indexados à inflação, comumente por meio do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), ou aos juros, com ativos indexados ao CDI”, escrevem as analistas Maria Jordão e Maria Fernanda Violatti em relatório da XP. 

Os fundos de tijolo, por sua vez, podem contribuir para a diversificação da carteira. “Enxergamos que os fundos de tijolos possuem vertente importante no quesito ganho de capital, principalmente nos investimentos de longo prazo. O fato de serem ativos reais em um ambiente inflacionário faz com que essa categoria traga proteção à carteira de investimentos”, apontam as analistas.

A equipe da Levante Corp destaca oportunidades também em fundos que têm o portfólio formado por lajes corporativas (escritórios). “No âmbito corporativo, tivemos um excelente desempenho dos fundos de tijolo – o mundo real tem destoado bastante do universo da bolsa. Se, por um lado, as cotações derretem, por outro vemos renovações de contrato, novas locações, e vendas a preços muito acima do valor do m² negociado em bolsa”, aponta relatório assinado por Sousa e Fonseca.

Mundo: visão 2023

  • EUA: inflação com sinais mais favoráveis nos últimos meses, mas ainda juros altos e leve recessão no radar
  • China: Retomada da atividade econômica após fim da política Covid zero

A preocupação com a inflação observada no ano passado – e que resultou no aumento de juros – deve ser substituída pelas incertezas em relação ao crescimento das principais economias do mundo, como os EUA e a Europa. Um levantamento da agência de notícias Bloomberg mostra que a economia mundial deve desacelerar de 2,9% no ano passado para 2,1% em 2023 – e essas projeções podem encolher ainda mais.

Estados Unidos  

Os mercados globais mostraram a trajetória mais negativa da década no ano passado em meio a um cenário de inflação alta e elevação das taxas de juros nas principais economias do mundo. Nos Estados Unidos, o Federal Reserve (Fed, banco central norte-americano) promoveu um aumento sucessivo da taxa de juros até o atual patamar de 4,25%. 

Somente com este cenário, já seria natural observar os investidores migrarem para ativos de menor risco em detrimento da Bolsa. O sentimento de cautela (e aversão ao risco em muitos momentos) aumentou com a guerra na Ucrânia. O conflito contribuiu para agravar a crise energética no velho continente. 

Diante do aumento de retorno dos títulos americanos, os investidores migraram para esses ativos mais seguros e as bolsas derreteram. Somente no primeiro semestre de 2022, o S&P – índice que reúne as 500 maiores empresas dos EUA – caiu 21%, e teve o pior início de ano de seis meses desde 1970.

Tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, 2022 ficou marcado como um período de alta volatilidade no mercado de ações –  realidade que deve se manter em 2023. A visão dos analistas de Wall Street, resumida em um texto publicado no jornal americano Washington Post, vai direto ao ponto: “as ações não ganharão terreno até que o Fed pare de aumentar a taxa de juros”. Como existem mais duas elevações no radar, “é improvável que o mercado volte a ter viés de alta tão cedo”. 

Diante do cenário, os especialistas seguem destacando a força da Renda Fixa: embora a inflação também seja ruim para os títulos, as taxas de juros mais altas estão tornando alguns investimentos mais seguros. Nesse contexto, uma aposta melhor para o curto prazo são fundos atrelados às taxas de juros e títulos do Tesouro norte-americano de curto prazo. 

China

Depois de três anos de restrições sufocantes por conta da política de Covid zero, a China ensaia uma “volta ao normal”. A projeção da Capital Economics é que a economia do gigante asiático contrai 0,8% no primeiro trimestre, e depois passe a se recuperar gradativamente.

Essa melhora da percepção de risco contribui para elevar o fluxo positivo de investimentos para os países emergentes. “Esse fluxo tende a ajudar o Brasil, que continua presente na carteira dos investidores internacionais”, aponta a gestora Dahlia em sua carta para os investidores de janeiro. Vale destacar que, hoje, os investidores estrangeiros representam cerca de 50% do volume negociado na B3.

Outro ponto de atenção é que a retomada da atividade na China reflita na retomada do ritmo de compra de insumos. Nesse contexto, o Brasil pode ser beneficiado por ser o maior vendedor de commodities para o país asiático.

Autor

Priscilla Arroyo
Priscilla Arroyo é jornalista, especialista na cobertura de economia e finanças. Com dez anos de experiência em redações, foi repórter do Brasil Econômico e da Isto É Dinheiro. Como freelancer, contribuiu com reportagens para El País, Uol e iG.

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