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Quanto rende R$ 1 milhão na poupança?

A poupança ainda é o investimento mais comum entre os brasileiros:  27% dos recursos investidos no País está parado em alguma caderneta. Em cifras, isso soma R$ 905,3 bilhões. 

Mas não é segredo que o rendimento da poupança é um dos mais baixos do mercado – quando não é negativo. Neste texto, você vai conferir quanto rende R$ 1 milhão na poupança. Também calculamos a rentabilidade do mesmo valor em outras opções da Renda Fixa. 

Deixamos, então, para você avaliar qual é a melhor opção!

Como funciona a poupança?

Como aplicação de Renda Fixa acessível para o público em geral – inclusive menores de idade com respaldo do pai, mãe ou responsável legal – esse ainda é o tipo de investimento mais popular do País. Hoje, 27% do volume de recursos investidos no Brasil está na poupança.  

No entanto, a caderneta vem perdendo espaço para outras opções de Renda Fixa que oferecem melhor rentabilidade e podem ser opções tão conservadoras.

Os Certificados de Depósito Bancário figuram em segundo lugar no quesito volume de investimento, com 21% de participação, seguido pelos Fundos de Renda Fixa, com 12%. Os dados são da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). 

Liquidez e garantias da poupança

A poupança tem liquidez diária, ou seja, o resgate dos recursos pode ser feito  a qualquer momento, sem burocracia. Como a poupança tem a mesma rentabilidade em todos os bancos, a escolha da instituição pode ser feita pelo quesito “confiabilidade”: em geral, bancos maiores têm menos chances de quebrar. Ainda assim, se a instituição escolhida pelo poupador para guardar os recursos vier a falir, montantes até R$ 250 mil são ressarcidos pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC). 

Vale destacar que a garantia do FGC se dá pelo  CPF e pela instituição financeira. Então, se o investidor tiver uma poupança e também aplicações em CDBs de um banco que apresentar problemas, a garantia de R$ 250 mil valerá para todas as aplicações somadas.

Rendimento da poupança

O rendimento da poupança está diretamente ligado à taxa Selic – a  taxa básica de juros da economia brasileira, definida a cada 45 dias pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. 

Quem costuma ler sobre investimentos já deve ter se deparado com o termo “poupança velha” e “poupança nova”.  Essa diferenciação reflete a mudança nas regras de rentabilidade da modalidade, que mudaram em 2012 com a promulgação da Lei 12.703. Desde então, o rendimento varia conforme o patamar em que se encontra a Selic:

Se a Selic estiver acima de 8,5% ao ano, o rendimento da poupança será de 0,5% ao mês mais a variação da Taxa Referencial (TR), calculada a partir das médias das taxas dos CDBs prefixados, emitidos por 30 instituições financeiras e que em maio de 2022 estava em 0,16%;

Se a Selic estiver igual a ou abaixo de 8,5% ao ano, o rendimento da poupança será equivalente a 70% da Selic mais a variação da TR.

Essa regra vale para os depósitos feitos a partir do dia 4 de maio de 2012 – ou seja, essa é a poupança nova. Os poupadores que mantém cadernetas mais antigas “poupança velha” continuam recebendo rendimentos de 0,5% ao mês mais a variação da TR.

Os bancos são obrigados a usar ao menos 65% dos recursos aplicados nas  cadernetas de poupança para a concessão de financiamentos imobiliários. 

Lembre-se: quem possui um valor acima de R$140,00 na poupança, deve declará-lo  no IR (mesmo que a modalidade seja livre do imposto).

Como a inflação impacta a poupança?

A inflação, ou o aumento generalizado de preços, impacta diretamente no custo de vida, uma vez que quanto maior os preços, mais dinheiro é necessário para comprar  a mesma quantidade de coisas.

Na prática, o dinheiro perde valor ao longo do tempo, impactando a rotina e os investimentos. Mesmo com uma taxa de juros em patamar elevado (em outubro de 2024, a Selic estava em 12,75%), a inflação que no mesmo período acumulava avanço de5,19% em 12 meses corrói boa parte da rentabilidade da poupança. 

Diante do cenário econômico de hoje, a poupança oferece um retorno pequeno, porém positivo. Mas nem sempre é assim. Em 2021, por exemplo, quando a inflação estava em 10,06%, o retorno da poupança ficou negativo em -6,37%. 

Quanto rende R$ 1 milhão na poupança?

A cifra de R$ 1 milhão não deixa de ser um marco nos objetivos de quem investe. Por isso, escolhemos esse valor para fazer uma simulação de aporte em diferentes opções da Renda Fixa. 

Considerando um tempo de investimento de 12 meses, Selic em 12,75% e inflação acumulada de 4,%, ao investir R$ 1 milhão na caderneta, o investidor colheria, já com o desconto da inflação  R$ 1,03 milhão – ou seja, em valor real, a rentabilidade seria de R$ 30 mil. 

Se você avalia que R$ 30 mil é uma rentabilidade baixa para quem investe R$ 1 milhão na poupança por 12 meses, saiba que essa percepção está correta. Os mesmos R$ 1 milhão aplicados em um Certificado de Depósito Bancário (CDB) renderiam por volta de R$ 70 mil em um ano. Se a cifra fosse aplicada em uma debênture isenta de Imposto de Renda, o ganho médio real – já com o desconto da inflação – seria de R$ 60 mil. 

Quanto rende R$ 1 milhão na poupança

“Hoje existem opções conservadoras que oferecem retornos mais atrativos que a poupança. Portanto, vale a pena conversar com um assessor de investimentos para buscar produtos de acordo com o seu perfil e objetivos de vida”, diz Rafael Hek, sócio da SVN Investimentos. 

Abaixo, vamos observar como funciona cada uma dessas opções de aportes.. 

5 investimentos que rendem mais que a poupança

Existem diversos outros investimentos de renda fixa que podem render mais do que a poupança. Ainda que envolvam riscos diferentes, eles podem ser atenuados. Selecionamos quatro alternativas: CDBs, LCIs e LCAs, títulos públicos e fundos de Renda Fixa. 

      • CDB

    O Certificado de Depósito Bancário (CDB) é um tipo de investimento de renda fixa cuja rentabilidade está atrelada à taxa Selic. Ao adquirir um título dessa modalidade, a pessoa empresta dinheiro ao banco emissor e, ao final do contrato, recebe a quantia de volta com juros. A rentabilidade é vinculada ao CDI (Certificado de Depósito Interbancário), que acompanha de perto a taxa básica de juros brasileira

    Os rendimentos dos CDBs são tributados no Imposto de Renda de acordo com a tabela regressiva, de 22,5% a 15%. O CDB, assim como a poupança, possui a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) – organização privada, sem fins lucrativos, que visa a proteção de instituições financeiras e de investidores contra crises bancárias sistêmicas. O valor total coberto é de até R$ 250 mil por CPF/CNPJ.

        • Tesouro Direto

      O Tesouro Direto é formado por títulos públicos emitidos pelo Governo Federal – o investidor empresta dinheiro para o governo e recebe juros de remuneração pelo empréstimo. Esses títulos oferecem rentabilidade superior à poupança e são tão seguros quanto, pois têm risco soberano. Isso porque o investidor só perde o dinheiro caso o país entre em falência. 

      Há três modalidades no Tesouro Direto: 

      Prefixados – Tesouro Prefixado e Tesouro Prefixado com Juros Semestrais; 

      Pós-fixados – Tesouro Selic; 

      Híbridos – taxa fixa + variação, como Tesouro IPCA+ e Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais.

      Entre as taxas cobradas nestes títulos, estão a tarifa de custódia paga à B3, que organiza o sistema do Tesouro Direto e a de administração de banco ou corretora que faz a intermediação das operações. O investimento também inclui o pagamento de IR na tabela regressiva: 22,5% a 15% .

          • LCI e LCA

        Letra de Crédito Imobiliário (LCI) ou Letra de Crédito Agrícola (LCA) são títulos emitidos por instituições financeiras autorizadas pelo Banco Central. Trata-se de um investimento de renda fixa com lastro nos setores que os nomeiam. Ao investir nessa categoria, o investidor incentiva a atividade agropecuária e/ou imobiliária, segmentos que incentivam o desenvolvimento do País – por isso, os títulos têm isenção de Imposto de Renda (IR). 

        Semelhantes aos CDBs, as letras de crédito pós-fixadas são comuns de serem encontradas no mercado.

            • Debêntures

          As debêntures são títulos de dívida emitidos por empresas. O investidor pode adquirir esses papéis e ser recompensado por isso. As companhias, por sua vez, usam os recursos para financiar projetos. Costumam ter um vencimento mais longo que outros produtos de renda fixa – de cinco até dez anos -, podendo ter retornos prefixados, pós-fixados e híbridos.

          O investimento é tributado pela tabela regressiva do IR – de 22,5% a 15%. Porém, as debêntures incentivadas, usadas para captar recursos para a realização de grandes obras de infraestrutura no país, são isentas da alíquota.

              • CRI e CRA

            Os Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) e do Agronegócio (CRA) incluem securitização, ou seja, transforma direitos de crédito – parcelas de um financiamento imobiliário ou o pagamento de aluguéis mensais, por exemplo – em papéis negociados no mercado financeiro. Ao comprar um CRI ou CRA, o investidor recebe juros como remuneração.

            Quanto custa sacar dinheiro da poupança?

            No caso de pessoa física, nada. Já se o saque for realizado em uma conta pessoa jurídica, a tributação é de 22,5% sobre os rendimentos (ou seja, não recai sobre o valor aplicado inicialmente).

            Os saques e depósitos são solicitados pelo correntista. O poupador deve tirar o dinheiro da conta corrente do banco e transferi-lo para a conta poupança para obter a rentabilidade prevista na modalidade. Também é possível fazer depósitos diretamente na conta poupança.

            Em relação ao saque, o processo é o mesmo. É possível solicitar o resgate do valor a qualquer momento e o dinheiro será depositado na sua conta do banco.

            Vale a pena investir na Poupança?

            Por muito tempo, a poupança foi a única opção de investimento para uma enorme parcela da população. Em geral, os produtos financeiros não estavam ao alcance dos brasileiros. Nas últimas duas décadas, no entanto, o mercado se modernizou – e essa situação mudou bastante.

            A poupança continua sendo uma aplicação sem burocracia. Não exige uma grande reflexão – basta transferir os recursos da conta corrente para a caderneta. Por não prever aplicação mínima, é uma alternativa para quem tem pouco dinheiro para investir. E como não envolve custos e tem garantia do FGC, pode ser uma opção para quem está começando a se organizar financeiramente.

            A rentabilidade, no entanto, o ganho real é baixo e – pode ser até negativo. Isso deve ser considerado na hora de avaliar onde investir. Algumas outras aplicações de Renda Fixa com risco equivalente ao da caderneta oferecem uma remuneração mais alta e, portanto, a chance de preservar o poder de compra no futuro é maior.

            A escolha do tipo de investimento deve refletir fatores como a disposição para a tomada de risco de cada investidor e os objetivos a serem alcançados com os aportes. Para realizar um planejamento de investimentos assertivo, entre em contato com um dos assessores da SVN. 

            Autor

            Priscilla Arroyo
            Priscilla Arroyo é jornalista, especialista na cobertura de economia e finanças. Com dez anos de experiência em redações, foi repórter do Brasil Econômico e da Isto É Dinheiro. Como freelancer, contribuiu com reportagens para El País, Uol e iG.

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            7 minutos de leitura

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