Como chegar a R$ 1 milhão investindo

“A jornada do milhão é o caminho mais indicado para quem quer conquistar a liberdade financeira e viver de renda. Mas esse não deve ser o objetivo final, e sim a primeira marca de sucesso no mundo dos investimentos”, diz Eduardo Albieri, sócio da SVN.

Abrir o extrato de investimentos e dar de cara com o ‘número mágico’ de 1 seguido por seis zeros não é uma realidade só para quem ganha muito dinheiro. É possível alcançar o primeiro milhão começando a investir R$ 500 reais – ou quanto você quiser/tiver disponível. O importante é começar e seguir o plano à risca. Com muita disciplina, perseverança e uma boa estratégia, é possível chegar lá.

Não existe, porém, uma fórmula mágica para atingir essa meta. Há inúmeras maneiras de trilhar o caminho do milhão. Tudo vai depender dos recursos disponíveis, do seu apetite ao risco e o tempo que dispõe para cumprir essa jornada.

Neste material, a gente te mostra os passos básicos dessa trajetória. Também vamos responder algumas das dúvidas mais comuns entre os investidores sobre o tema. Inclusive a mais clássica: “É possível viver de renda com R$ 1 milhão?

Para te ajudar a colocar tudo isso no papel, como todo investidor organizado deve fazer, compartilhamos aqui a ‘Planilha do Milhão’ – ótima aliada para quem deseja começar essa jornada. A ferramenta mostra o tempo e a quantidade de aportes que é preciso para chegar lá e se tornar uma milionária ou um milionário.

A gente te acompanha neste percurso. E para facilitar o caminho, organizamos os tópicos que irão te ajudar a entender quais são os 7 pontos a serem considerados na sua estratégia rumo ao milhão!

Índice

Olhe (e organize) a sua vida financeira

Garanta a reserva de emergência

Invista com foco no longo prazo

Simule a sua estratégia com a “Planilha do milhão”

Afinal, quanto vale R$ 1 milhão?

É possível viver de renda com R$ 1 milhão?

Como proteger R$ 1 milhão da inflação

Olhe (e organize) a sua vida financeira

Quanto você ganha e para onde está indo o seu dinheiro? Essa é a pergunta que inaugura o planejamento das nossas finanças. Parece uma questão simples, mas não é. No Brasil, historicamente, poucas pessoas têm acesso à educação financeira.

Embora esse cenário esteja mudando nos últimos anos, quase metade da população não sabe exatamente quanto gasta – e no que gasta – os seus recursos. Uma pesquisa do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) mostra que 48% dos brasileiros não controla o próprio orçamento.

Se você fizer parte dessa estatística, é hora de mudar! O primeiro passo é mapear o total de recursos que você e/ou a sua família podem contar todos os meses. Então, a dica é anotar para onde vai esse dinheiro. Existem muitas ferramentas para ajudar nessa tarefa – planilhas e aplicativos.

Existem métodos que ajudam também a traçar um olhar panorâmico das finanças. Um deles é o ABCD, proposta que divide os gastos em grupos:

A – Alimentação: suprimentos essenciais

B – Básico: o que inclui as contas essenciais – de água, luz, internet, educação

C – Contornável: gastos que com lazer ou tudo o que trouxer satisfação momentânea, mas que pode ser cortado

D – Desnecessário: muitos cartões de crédito com anuidade ou assinatura de serviços são pouco usados, etc…

A partir desse diagnóstico, a ideia é cortar os excessos. O montante economizado com essa “limpeza” pode ser usado para incrementar o tamanho dos aportes mensais. É muito importante criar a disciplina de cravar um montante mínimo a ser investido todos os meses. Quanto maior o tamanho dos aportes, menor é o tempo para chegar no primeiro milhão.

Para garantir que os depósitos sejam periódicos, garante que ele seja feito logo no começo do mês, logo depois de receber o salário. Invista primeiro, gaste depois. Acredite, essa disciplina vale ouro, literalmente’, diz Albieri. Ao firmar esse compromisso, você consegue direcionar toda a economia feita com os cortes no orçamento para turbinar o valor dos seus aportes mensais. Na jornada do milhão, quanto mais recursos você conseguir investir por mês, mais rápido alcançará o objetivo.

Garanta a reserva de emergência

Outro fator essencial que faz parte da sua organização financeira é a reserva de emergência – como a perda de emprego ou uma questão de saúde. Portanto, antes mesmo de pensar em alcançar R$ 1 milhão, você deve garanti-la. Como o nome diz, trata-se de um dinheiro que é separado para não ser utilizado. Mas, se precisar, ele estará ali, disponível. Albieri recomenda que essa reserva seja equivalente a seis meses de salário.

Esse dinheiro deve ser investido em opções de baixo risco, que tenham liquidez (possam ser sacados a qualquer momento) e previsibilidade da rentabilidade ao longo do tempo. Uma das opções é investir no Tesouro Selic, um título do Tesouro Direto, opção considerada como a mais segura do Brasil.

Ao comprar o título, que tem remuneração atrelada à taxa básica de juros, você estará emprestando dinheiro para o Governo Federal. Ou seja, o único risco de não receber o montante de volta com os devidos juros é se o país quebrar. É possível sacar os recursos do Tesouro Selic diariamente, e o dinheiro cairá na sua conta no dia seguinte (D+1).

Outra opção para deixar a reserva de emergência são os fundos de investimento referenciados DI, com prazo de resgate curtos – no mesmo dia ou no dia seguinte (D+0 ou D+1). Esses fundos investem ao menos 80% dos recursos em títulos de renda fixa – como o Tesouro Direto.

Você pode também direcionar os recursos para um CDB, o Certificado de Depósito Bancário, que tem liquidez diária. Geralmente, essa modalidade de investimento rende 100% do CDI (índice que acompanha a Selic, taxa básica de juros). O CDB é um investimento protegido pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), isso significa que se a instituição que emite o título quebrar, o FGC garante a devolução de até R$ 250 mil investidos por pessoa física ou jurídica.

Invista com foco no longo prazo

Não é segredo que quanto mais longo o período que você deixa o seu dinheiro investido, maior tende a ser o retorno. Para colocar essa estratégia em prática, é preciso entender qual o seu apetite ao risco, ou qual é o seu perfil de investidor: conservador, moderado ou arrojado. Também é importante pensar por quanto tempo poderá deixar os recursos investidos sem precisar movimentá-los – isso porque a liquidez costuma ser menor em ativos com horizonte de longo prazo.

Nessa fase do planejamento, é possível contar com o assessor de investimentos para encontrar as melhores opções do mercado de acordo com os seus objetivos.

Uma das opções é contar com um plano de Previdência Privada. Nessa modalidade, o dinheiro é direcionado para fundos de previdência, que reúnem diversos tipos de investimento em um único produto. Os gestores desses fundos traçam uma estratégia de longo prazo com o objetivo de multiplicar, e ao mesmo tempo, proteger os recursos. Para além de somente garantir a segurança financeira na aposentadoria, essa é também uma ótima ferramenta para auxiliar na conquista de um bem, como o carro ou a casa própria.

Albieri indica ter ao menos um fundo de previdência na carteira. “São opções que têm a dinâmica bem parecida com os fundos comuns, mas trazem vantagens tributárias importantes”, diz.

Há, igualmente, alternativas no Tesouro Direto para deixar os recursos renderem no longo prazo – como os títulos com taxas prefixadas e indexadas à inflação – com vencimentos em 2025, 2026… até 2055. Se você aceita tomar um pouco mais de risco, as LCI e o LCA – letras de crédito imobiliário ou de agronegócio – podem ser uma alternativa interessante. Ao adquirir os títulos, você financia projetos desses setores da economia. Geralmente com horizonte de longo prazo, as LCIS e LCAs oferecem uma importante vantagem: a isenção de Imposto de Renda.

Caso você seja um investidor arrojado – com muito apetite ao risco – é possível cravar estratégias de longo prazo na Bolsa de Valores. Para isso,é preciso acompanhar os movimentos de mercado e identificar quais são as empresas cujas ações têm maior chance de se valorizar ao longo do tempo. Há estratégias que contribuem para diminuir o risco, como a famosa Buy and Hold, ou comprar e segurar, adotada pelo ‘Guru’ da Bolsa, Warren Buffett, e Luiz Barsi, o maior investidor individual da Bolsa Brasileira.  Com dinâmica simples, a ideia é comprar ações com alto potencial de valorização e deixar esses papéis parados na carteira rendendo dividendos.

Simule a sua estratégia com a “Planilha do milhão”

Assim como acontece na vida, onde vislumbramos muitas opções de caminhos para chegar no mesmo lugar, a estratégia para alcançar R$ 1 milhão também não tem uma trajetória única. Como falamos ali em cima, existem muitas variáveis que devem ser consideradas nessa jornada – os recursos disponíveis, o planejamento do tempo para alcançar o objetivo e, claro, a disciplina que envolve todo o processo.

A boa notícia é que você pode contar com a “Planilha do Milhão“, ferramenta desenvolvida por Albieri que ajuda a organizar a sua estratégia. Ao preencher algumas variáveis – como o montante disponível para o investimento inicial, o valor de aportes mensais e a quantidade de meses que pretende fazê-los, a ferramenta aponta qual é o potencial de retorno.

Vamos considerar, por exemplo, que você tem R$ 100 mil para fazer um investimento inicial, e pretende fazer aportes mensais de R$ 1 mil durante os próximos 14 anos. Então, em 2036, você chegaria a R$ 1,02 milhão. Esse cenário pressupõe investimentos em produtos conservadores, que acompanham a taxa básica de juros, que está em 13,25%.

Vale destacar que isso é uma promessa de retorno, e sim um exercício hipotético, uma simulação. A planilha permite fazer milhares de combinações com essas informações essenciais: aporte inicial, tempo de investimento, aporte mensal e as taxas de retorno. Ao pensar em R$ 1 milhão, podemos imaginar que essa cifra seja muito dinheiro. O que é relativo também porque o poder de compra desse montante tende a diminuir ao longo dos anos. Na prática, não é possível comprar hoje as mesmas coisas que era possível adquirir com R$ 1 milhão há 14 anos. Como daqui a 14 anos, o poder de compra tende a ser ainda menor. Essa perda do poder de compra ao longo dos anos reflete a inflação.

Afinal, quanto vale R$ 1 milhão?

Quanto vale R$ 1 milhão?

Como falamos ali em cima, R$ 1 milhão é – e sempre foi – considerado o número mágico quanto o assunto é investimento. “Mas é bom a gente sempre levar em conta que R$ 1 milhão de reais não é US$ 1 milhão de dólares”, diz Albieri. Como o Brasil é um país em desenvolvimento, a nossa moeda tem tendência a se desvalorizar como reflexo de questões econômicas internas e de fatores internacionais.

Na prática, o real tende a perder poder de compra com o tempo como consequência da inflação elevada, uma característica histórica da economia do Brasil. Em julho de 2022, o IPCA (índice oficial de inflação do país) acumulava alta de 11,89% nos últimos 12 meses. Na prática, isso significa que o dinheiro desvalorizou 11,89% no período.

Se a gente olhar para ainda mais atrás, é possível ter uma dimensão panorâmica da perda do poder de compra que o brasileiro enfrenta. Catarina tinha R$ 1 milhão na conta em 2012, e ela conseguia comprar com esse dinheiro um apartamento de cobertura de 150 m2 e um BMW automático. Em 2022, o mesmo R$ 1 milhão compraria um apartamento de 65 m2 e um Chevrolet Onix manual[1]*.

Essa perda do poder de compra reflete a inflação acumulada nos últimos 10 anos.

Nós já vamos te mostrar, aqui embaixo, como proteger o dinheiro da inflação.

É possível viver de renda com R$ 1 milhão?

Aqui chegamos à pergunta de ouro: ‘É possível viver de renda com R$ 1 milhão?’

O assessor de investimentos Eduardo Albieri explica como proteger R$ 1 milhão para viver de renda.

A resposta é: depende. Ao investir R$ 1 milhão em ativos de renda fixa, com baixo risco – mas sem considerar o fator ‘inflação’ – você conseguiria[2] cravar uma renda média de 1% ao mês – ou cerca de R$ 10 mil. Mas tem um detalhe importante a ser considerado: esse valor é nominal – ou seja, não considera a inflação. Na prática, no fim dos próximos 12 meses, você continuaria tendo R$ 1 milhão na conta, mas essa quantia perde poder de compra, ou seja, compra menos coisas.

“Quem tinha R$ 1 milhão há 12 meses e não se preocupou em investir essa quantia em opções para se proteger da inflação, perdeu R$ 118,9 mil em poder de compra. Considerando aqui a inflação acumulada no período de 11,89%”, diz Albieri.

Como proteger R$ 1 milhão da inflação

Uma estratégia certeira para proteger o dinheiro da inflação é investir em títulos públicos do Tesouro Direto que pagam IPCA (índice oficial de inflação do país) mais uma porcentagem anual – por exemplo: IPCA+5.

Esses títulos têm um detalhe importante a ser considerado: o pagamento dos juros (cupons) é feito a cada seis meses ou a cada um ano. “Então, é importante considerar sempre um período de 12 meses quanto se pensa na estratégia de viver de renda com R$ 1 milhão”, pontua Albieri. “O segredo desse planejamento é mirar proteção, e não rentabilidade’.

Se você tem R$ 1 milhão, e aplica em um título do tesouro IPCA+5% ao ano, você teria renda semestral de aproximadamente R$ 25 mil por semestre, ou R$ 50 mil no ano. Se a gente dividir por 12 meses, chegamos a uma renda mensal de cerca de R$ 4,1 mil.

Então, é possível viver de renda com R$ 1 milhão protegido da inflação?

Se você conseguir fechar as contas mensais com R$ 4,1 mil, a resposta é: sim!

Falta só um último detalhe: já descontados os impostos, você teria no bolso cerca de R$ 3,3 mil por mês. “Por isso, é válido ajustar o seu plano de investimento para alcançar R$ 1 milhão. Mas essa deve ser somente a primeira meta de um objetivo maior.  Afinal, a partir do momento que você alcança R$ 1 milhão, você abre espaço para o seu patrimônio expandir de maneira exponencial”, diz Albieri.

Entre em contato com um assessor e coloque em prática o seu plano de investimento.

* DISCLAIMER

Este material foi elaborado com o intuito informativo. Portanto, as informações aqui contidas não se traduzem em promessas de rentabilidade nem em indicação de investimentos. Antes de realizar qualquer aporte, recomendamos a consulta a um assessor de investimentos. Esses profissionais podem avaliar os objetivos e o perfil de cada cliente para indicar a melhor estratégia. As decisões de investimentos são realizadas sempre pelo investidor.


[1] *Simulação publicada na Folha de São Paulo que usa como base o valor de imóveis localizados  na cidade de São Paulo. No ano de 2012, o cálculo se baseia no empreendimento da Gafisa “Like Saúde”, no bairro da Saúde; em 2022, a simulação considera o empreendimento da Cyrela “Atmosfera Vila Mariana”, que fica no bairro de mesmo nome. 

[2] Simulação considera cenário econômico em julho de 2022.

Autor

Priscilla Arroyo
Priscilla Arroyo é jornalista, especialista na cobertura de economia e finanças. Com dez anos de experiência em redações, foi repórter do Brasil Econômico e da Isto É Dinheiro. Como freelancer, contribuiu com reportagens para El País, Uol e iG.

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