Selic: o que é a taxa básica de juros?

“Taxa Selic” é uma expressão frequente no mercado financeiro. Em momentos de inflação alta, não é raro encontrar em analistas ou na mídia especializada debates e previsões sobre ela.

Isso acontece principalmente pelo fato de a Selic ser a taxa básica de juros da economia brasileira e por ser definida de acordo com o avanço – ou o recuo – da inflação. A seguir, essas relações serão explicadas com mais detalhes, assim como seus impactos nos investimentos.

O que é a Selic?

O que é Selic?

Selic é a taxa básica de juros do Brasil, uma das mais importantes da economia. Ou seja, todas as outras taxas de juros são influenciadas por ela – desde as utilizadas por bancos para cobrar clientes que contraem empréstimos, até as que servem de referência à remuneração de investidores na renda fixa.

Definida pelo Banco Central, a taxa é um dos principais instrumentos de controle da inflação. Ou seja, quando a inflação está em alta, a taxa de juros sobe para conter o consumo e arrefecer o avanço dos preços.

O contrário também ocorre: se o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) indicar que a inflação desacelerou, a Selic é reduzida com o intuito de estimular a economia.

Quais os impactos da Selic nos investimentos?

A alta ou a queda da Selic impactam de maneira direta os rendimentos de renda fixa, que têm o CDI (Certificado de Depósito Interbancário) como um dos principais indicadores. Vale destacar que o CDI segue a Selic.

Quando a Selic está em patamar elevado, é comum os investidores terem maior interesse por ativos de renda fixa, como reflexo da melhora da rentabilidade.

No entanto, quem investe deve sempre levar a inflação em consideração. Por isso, vale pensar no retorno por meio do rendimento real das aplicações – ou seja, a rentabilidade com o desconto da inflação.

Um exemplo hipotético: em período de inflação e juros altos, a investidora Sarah encontra um ativo de renda fixa com retorno de 12% ao ano e se empolga com a taxa. Porém, se durante os primeiros 12 meses de investimento a inflação for de 10%, ela terá um retorno real de apenas 2% – afinal, o restante servirá apenas para cobrir a alta dos preços.

Se, em um momento diferente, Sarah receber 6% de juros em outro investimento, mas a inflação for de 2% no período, ela terá ganho real de 4% – ou seja, mais do que no caso anterior de juros e inflação disparados.

Quem determina a Selic?

O órgão responsável por definir a Selic é o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), que se reúne cerca de oito vezes por ano.

Cada reunião dura dois dias – e acontece sempre às terças e quartas-feiras. No primeiro dia são feitas as discussões, e no segundo ocorre a votação e o anúncio da decisão.

As discussões do Comitê são registradas em uma ata, que é divulgada na semana seguinte às reuniões. Esses registros são acompanhados de perto por agentes do mercado e por economistas. O intuito dos profissionais é entender quais serão os próximos passos da política monetária.

Como a Selic se relaciona com a inflação?

Isso ocorre por conta do sistema de metas da inflação – uma das bases da política monetária no Brasil. O mecanismo é utilizado desde 1999 para que o governo mantenha o avanço da inflação dentro de uma faixa proposta pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

Vale lembrar que, até o início da década de 1990, o Brasil viveu inflações muito altas. A meta é uma forma de evitar que isso se repita.

O CNM estipula a porcentagem de avanço que a inflação deve ter em cada e ano, assim como uma faixa de tolerância. Por exemplo: para 2022, foi estipulado avanço de 3,5%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Ou seja, o ideal é que a inflação do ano fique entre 2% e 5%.

Entretanto, vale ressaltar que no dia 30 de junho, o Banco Central divulgou o Relatório de Inflação do segundo trimestre, onde reconheceu que o teto da meta será estourado – ao final de 2022, o avanço dos terá ultrapassado o máximo de 5%.

Quando o Brasil não cumpre a meta da inflação, o BC se explica em uma carta aberta direcionada ao Ministro da Economia. Essa situação já havia acontecido em 2021.

Para 2023, a meta é de 3,25%, também com tolerância de 1,5%. O sistema leva em consideração a inflação medida pelo IPCA.

Como o Copom se posiciona nos diferentes cenários inflacionários?

Quando a inflação está alta, o Comitê tende a aumentar a taxa Selic. E quando a inflação está controlada ou baixa, normalmente o colegiado decide manter ou reduzir a taxa. Então, é importante acompanhar os movimentos do Copom e os seus reflexos na economia para compreender as consequências no dia a dia.

Se o órgão aumenta a Selic, ele sinaliza que deseja segurar a subida da inflação. Como a Selic baliza todas as outras taxas de juros do País, o crédito encarece, há menor circulação de dinheiro e, como consequência, a expectativa é que os preços diminuam.

Mas, quando o Copom reduz a taxa de juros, o crédito se torna mais barato, há mais circulação de dinheiro e aumento do consumo. Na prática, as empresas passam a investir mais, e a demanda por produtos aumenta, o que se traduz em um incentivo para a economia.

A ata do Copom

Como citado anteriormente, sempre que ocorrem as reuniões do Copom, além de ser tomada uma decisão sobre a política monetária, o órgão divulga a ata do encontro. Essa publicação não ocorre no mesmo dia, mas sim na semana seguinte.

Por meio da ata é possível saber o que levou os economistas a optarem pelo novo patamar da Selic – ou por manter o que já estava.

Geralmente, também é possível encontrar na ata do Copom quais são as perspectivas futuras para a economia brasileira, na visão dos profissionais do Comitê.

Quando ocorrem as reuniões do Copom

As reuniões do Comitê ocorrem a cada 45 dias, sempre entre terça e quarta-feira. A divulgação da Selic acontece no segundo dia da reunião, logo após o fim do encontro – geralmente ao final da tarde ou no início da noite, após às 18h30. As atas são publicadas na terça-feira da semana seguinte, às 8h da manhã.

É possível acompanhar as próximas decisões da política monetária, ou mesmo consultar o que ocorreu em momentos anteriores, por meio dos calendários a seguir:

2022

ReuniãoDivulgação da ata
1º e 2 de fevereiro8 de fevereiro
15 e 16 de março22 de março
3 e 4 de maio10 de maio
14 e 15 de junho21 de junho
2 e 3 de agosto9 de agosto
20 e 21 de setembro27 de setembro
25 e 26 de outubro1º de novembro
6 e 7 de dezembro13 de dezembro

2023

ReuniãoDivulgação da ata
31 de janeiro e 1º de fevereiro7 de fevereiro
21 e 22 de março28 de março
2 e 3 de maio9 de maio
20 e 21 de junho27 de junho
1º e 2 de agosto8 de agosto
19 e 20 de setembro26 de setembro
31 de outubro e 1º de novembro7 de novembro
12 e 13 de dezembro19 de dezembro

O que significa o nome Selic?

Deste tópico em diante serão abordados temas mais técnicos sobre a taxa básica de juros, a começar pelo seu nome – que junta as iniciais de “Sistema Especial de Liquidação e de Custódia”.

O Sistema é uma infraestrutura utilizada para a negociação de títulos públicos federais. Sua administração é realizada pelo Banco Central. Mas não se trata de qualquer papel do governo, são investimentos com vencimento em apenas um dia e oferecidos apenas às instituições financeiras.

Como a Selic sobe e desce?

Foi explicado que a inflação medida pelo IPCA é o que estimula o Copom a elevar ou diminuir a taxa básica de juros. Mas como isso é feito?

Após anunciar o novo patamar da Selic, o BC precisa fazer com que isso realmente aconteça. O caminho é relativamente simples: o Banco Central negocia títulos públicos com as instituições financeiras e age para que a oferta seja maior ou menor.

Então, se o Copom aumentar a taxa básica de juros, por exemplo, o BC precisa vender mais títulos às instituições. Porém, para que isso ocorra, elas precisam ter interesse nos papéis. Então, o Banco Central aumenta a remuneração oferecida pelos ativos. Agora, como tudo isso torna os empréstimos e financiamentos mais caros?

É simples: se o próprio governo remunera bem os bancos, por que realizar operações de créditos com as pessoas? Para que se tornem vantajosas, os bancos cobram taxas de juros ainda mais altas que as do governo – por isso os empréstimos e financiamentos caros.

Quando o Banco Central precisa diminuir a taxa de juros, todo esse processo acontece de forma contrária, e a instituição reduz a remuneração dos bancos para que eles percam o interesse e vendam os papéis de volta.

Autor

Boris Bellini
Jornalista com experiências em marketing, segurança digital, mercado editorial e financeiro. No meio acadêmico, pesquisa a credibilidade jornalística. Anteriormente foi músico, tendo atuado como violoncelista e professor.

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